Confúcio Moura alerta para julgamentos sem provas e violência nas redes e nas ruas

Confúcio Moura alerta para julgamentos sem provas e violência nas redes e nas ruas

O senador Confúcio Moura (MDB-RO) alertou, nesta terça-feira (1º), no Plenário do Senado, para o risco de julgamentos precipitados alimentarem atos de violência. Ao comentar episódios recentes de agressões e mortes registrados no país, ele defendeu cautela antes de acusações e respeito às diferenças.

Para o senador, a violência pode começar antes mesmo de uma agressão física, quando opiniões e suspeitas passam a ser tratadas como fatos.

“Existe uma violência que começa muito antes do golpe, antes do disparo, antes da agressão. Começa quando deixamos de buscar os fatos e passamos a agir com base naquilo que acreditamos saber”, afirmou.

Confúcio também chamou a atenção para o papel das redes sociais na disseminação de acusações sem provas. Segundo ele, as plataformas digitais podem funcionar como uma espécie de tribunal informal, em que pessoas são condenadas pela opinião pública antes mesmo da apuração dos fatos.

“Criamos um tribunal sem toga, sem defesa, sem apelação; um tribunal em que o veredito pode chegar antes da prova, antes da pena, antes do julgamento”, declarou.

O parlamentar ressaltou que a democracia depende de instituições capazes de garantir direitos e assegurar que acusações sejam devidamente apuradas. Para ele, ninguém deve assumir, ao mesmo tempo, os papéis de acusador, juiz e executor.

Ao abordar a polarização política e social, Confúcio defendeu o respeito a opiniões diferentes e afirmou que divergências não podem servir de justificativa para agressões.

“Podemos discordar, podemos nos indignar, podemos até considerar que o outro está errado, mas não podemos transformar essa diferença em ódio e violência”, disse.

O senador reforçou ainda que a democracia não depende apenas da liberdade de expressão, mas também da disposição para o diálogo e para ouvir quem pensa diferente.

“A democracia depende disto: da liberdade de falar, mas também da capacidade de ouvir”, concluiu.

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