Senado avança em projeto de Confúcio Moura que garante acesso mais justo de indígenas ao Judiciário

Senado avança em projeto de Confúcio Moura que garante acesso mais justo de indígenas ao Judiciário

O Senado deu um passo importante para ampliar o acesso dos povos indígenas à Justiça. Na quarta-feira (3), a Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou o projeto do senador Confúcio Moura (MDB-RO) que estabelece novos princípios para assegurar que essas comunidades possam recorrer ao Judiciário com autonomia e respeito às suas especificidades culturais. A proposta segue agora para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

O Projeto de Lei 1.977/2022 altera o Estatuto dos Povos Indígenas, substituindo o antigo regime tutelar — criado ainda no período militar e considerado incompatível com a Constituição de 1988 — por um conjunto de garantias voltadas ao pleno exercício de direitos pelos indígenas. A relatora, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), destacou que esse modelo ultrapassado não reflete mais a realidade nem os princípios constitucionais atuais.

O que muda com o projeto

A proposta de Confúcio Moura busca fortalecer o acesso dos indígenas à Justiça, reconhecendo sua autonomia e diversidade cultural. Entre as principais mudanças previstas estão:

  • Autorização para que comunidades e organizações indígenas acionem a Justiça mesmo sem registro de pessoa jurídica.
  • Garantia de participação dessas comunidades em todas as fases e instâncias de processos judiciais.
  • Direito a compreender plenamente os atos processuais, com apoio de intérprete — preferencialmente alguém da própria comunidade — ou com uso de linguagem acessível.

Ao apresentar o projeto, o senador reforçou que os povos indígenas devem ser tratados como sujeitos de direitos, afirmando que “diferença não é incapacidade”.

Ajustes feitos pela relatoria

Com a aprovação na CDH, o texto passou a incorporar um substitutivo apresentado por Damares Alves. Entre as alterações, ela incluiu:

  • Recomendação para que tribunais ofereçam cursos de capacitação a magistrados e servidores, já que seria inviável exigir que juízes convivam com as comunidades ou dominem suas línguas, como previa a proposta original.
  • Notificação obrigatória da Procuradoria Federal Especializada, em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, em processos que envolvam interesses indígenas — medida que busca reforçar a proteção jurídica sem interferir na autodeterminação dessas populações.

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