Confúcio Moura alerta para endividamento das famílias e defende educação financeira como prioridade

Confúcio Moura alerta para endividamento das famílias e defende educação financeira como prioridade

Senador destaca lançamento do Desenrola 2, mas afirma que solução definitiva exige preparação da população para lidar com crédito

O senador Confúcio Moura (MDB-RO) utilizou a tribuna do Senado nesta quarta-feira (6) para fazer um alerta sobre o avanço do endividamento das famílias brasileiras. O parlamentar destacou o lançamento do programa Desenrola 2 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltado à renegociação de dívidas, mas enfatizou que o país precisa enfrentar as causas estruturais do problema.

“Ontem o presidente Lula lançou praticamente o projeto, o plano dele chamado Desenrola 2, para negociação de dívidas das famílias endividadas. E são muitas famílias no Brasil. Nós estamos aí com um terço da população brasileira endividada. É bastante. Muitas dívidas. É complicado”, afirmou o senador.

O senador também destacou a gravidade da inadimplência. “Quase um terço dessas famílias já não consegue pagar o que deve. É muita dívida”, ressaltou. Para ele, o problema vai além dos números e revela uma realidade social preocupante. “Estamos falando, em grande parte, de brasileiros que vivem com até um salário-mínimo, gente que não está consumindo por excesso. Está tentando simplesmente sobreviver.”

Confúcio Moura fez questão de reconhecer o papel das mulheres nesse cenário. “São, em grande parte, as mulheres que sustentam essa travessia. […] São verdadeiras guardiãs do equilíbrio e da esperança dentro de milhões de lares brasileiros”, afirmou.

Ao abordar a modernização do sistema financeiro, o senador reconheceu avanços como o uso de aplicativos bancários e o Pix, mas apontou um desequilíbrio. “O Brasil bancarizou, mas não educou. E essa essência cobra um preço alto”, disse. Segundo ele, o acesso facilitado ao crédito, aliado à falta de orientação, contribui para o agravamento do endividamento. “O crédito chegou fácil e rápido, mas o seu custo, elevado e muitas vezes invisível, não é plenamente compreendido.”

Apesar de considerar importantes iniciativas como o Desenrola 2, Confúcio Moura afirmou que essas medidas atuam apenas sobre os efeitos do problema. “Estamos tratando o sintoma, enquanto a causa permanece intacta. Sem educação financeira, o problema não desaparece; ele apenas retorna, muitas vezes mais pesado”, pontuou.

Como solução, Confúcio Moura defendeu a inclusão da educação financeira como eixo central das políticas públicas. “A educação financeira não pode ser detalhe, não pode ser complemento. Ela precisa ser base, precisa estar na escola, nas políticas públicas”, declarou.

O parlamentar rondoniense fez um alerta sobre o uso do crédito, especialmente o cartão e o crédito consignado. “Quem entra nessa roda-viva do cartão de crédito ou da agiotagem, dessa é difícil sair”, disse. E concluiu: “O crédito deve existir para abrir caminhos, para realizar projetos de vida, nunca para financiar a sobrevivência.”

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

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