Senador afirma que jornada 5×2 é mais adequada ao mundo moderno e critica o excesso de tempo que trabalhadores passam fora de casa
O senador Confúcio Moura (MDB-RO) defendeu nesta quarta-feira (7), no Plenário do Senado, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial e com dois dias de descanso remunerado.

Para Confúcio, a mudança representa uma adequação das relações de trabalho às transformações ocorridas nas últimas décadas, especialmente após a pandemia, que ampliou experiências de trabalho remoto e outras formas de organização profissional.
“Eu acredito que seja a hora certa de a gente dar uma guinada nessa carga de trabalho extenuante. Hoje, com as alternativas tecnológicas e a busca de outras opções de trabalho, é oportuno avançar”, afirmou.
O senador também chamou atenção para o tempo que o trabalhador permanece fora de casa em razão dos deslocamentos, principalmente nas grandes cidades. Segundo ele, a jornada não termina quando o expediente acaba. “Um trabalhador de periferia distante consome 14 horas e levanta às 4 horas da manhã para pegar vários ônibus até chegar ao trabalho. O retorno também é a mesma coisa. O tempo de ausência de casa é enorme”, destacou. Para Confúcio, “desde o momento que a pessoa sai de casa até retornar, a jornada persiste”.
O parlamentar rejeitou a ideia de que a discussão esteja sendo antecipada por razões eleitorais e lembrou que a proposta já percorreu um longo caminho no Congresso. “Este debate é longo. A proposta está aqui no Senado há algum tempo e passou pelo crivo da Comissão de Constituição e Justiça, onde pôde receber emendas, reparos e melhoramentos. Então, eu creio que é o momento certo”, afirmou.

Confúcio também defendeu que a decisão seja tomada pelo atual Congresso, sem deixar a discussão para os parlamentares que tomarão posse em fevereiro. “Nós temos que votar agora. Este é o momento, esta é a hora de votar”, enfatizou. Ao concluir, reafirmou seu posicionamento favorável à proposta:
“Eu vou votar favoravelmente, o meu voto é favorável tranquilamente”. E questionou a diferença entre trabalhadores submetidos à escala 6×1 e setores que já adotam a 5×2: “Por que é só o assalariado lá que tem que realmente se arrebentar com a tabela 6×1? Vamos votar agora”.
A proposta está em fase de discussão no Plenário e precisa cumprir cinco sessões de debate antes da votação em primeiro turno.

Deixe seu comentário