Recuperar vidas é um compromisso de todos

Recuperar vidas é um compromisso de todos

A dependência química nunca atinge apenas uma pessoa. Ela entra dentro de casa, rompe laços, destrói sonhos e faz com que pais, mães, irmãos e filhos também convivam diariamente com a dor, a insegurança e a esperança de um recomeço. Quando um dependente adoece, toda a família sofre.

Ao longo da minha vida, conheci essa realidade por diferentes caminhos. Como médico, acompanhei o sofrimento de inúmeras famílias. Como gestor público, compreendi que o Estado precisa fazer mais do que tratar as consequências: precisa construir políticas permanentes de prevenção, acolhimento e recuperação. E, como irmão, vivi essa dor dentro da minha própria família.

Ao longo da minha vida, conheci essa realidade por diferentes caminhos. Como médico, acompanhei o sofrimento de inúmeras famílias. Como gestor público, compreendi que o Estado precisa fazer mais do que tratar as consequências: precisa construir políticas permanentes de prevenção, acolhimento e recuperação. E, como irmão, vivi essa dor dentro da minha própria família. Uma de minhas irmãs enfrentou a dependência química desde a adolescência e conviveu com essa doença até o fim da vida. Ela faleceu aos 50 anos. Essa experiência me ensinou que ninguém vence esse desafio sozinho.

Talvez por isso eu tenha desenvolvido uma profunda admiração pelas comunidades terapêuticas. Ao longo dos anos, conheci homens e mulheres que dedicaram a própria vida a acolher pessoas que muitos já haviam perdido a esperança de recuperar. São instituições que realizam um trabalho que o Estado, sozinho, não consegue fazer. Recuperam vidas, restauram famílias e devolvem dignidade a quem deseja recomeçar.

Quando governei Rondônia, criamos uma estrutura específica para apoiar essas instituições e garantimos recursos para fortalecer seu trabalho. Hoje, no Senado Federal, continuo defendendo essa causa, destinando recursos para o custeio das comunidades terapêuticas, porque sei que recuperar vidas exige equipes preparadas, acolhimento permanente e instituições fortes.

Mas também acredito que precisamos avançar. O enfrentamento da dependência química não termina na internação. É preciso investir na prevenção, oferecer tratamento clínico e terapêutico, apoiar as famílias e criar oportunidades para que quem venceu a dependência possa reconstruir sua vida por meio do trabalho, da educação e da convivência em sociedade.

Recuperar uma pessoa é muito mais do que salvar uma vida. É devolver esperança a uma família inteira e fortalecer toda a comunidade.

Essa é uma causa que não pertence a um governo, a um partido ou a uma instituição. É uma responsabilidade de todos nós.

Por Confúcio Moura

Deixe seu comentário

Your email address will not be published.