Brasil não é esse país de paz que a gente gosta de imaginar, afirma Confúcio Moura
Em um discurso que misturou filosofia, história e um puxão de orelha coletivo, o senador Confúcio Moura (MDB-RO) fez um alerta direto no Plenário do Senado, nesta segunda-feira (2): o Brasil está longe de ser a nação pacífica que costuma vender de si mesma — e só a educação pode mudar esse rumo.
Logo no começo, ele deixou claro o tom da fala. Disse que faria um “comentário sobre o mundo”, mas o que veio foi uma reflexão profunda sobre guerras, gastos militares, disputas geopolíticas e o momento turbulento que o planeta atravessa. “A gente não sabe se é o mundo que é louco ou se é a humanidade que está enlouquecendo”, provocou.
Ao citar a guerra entre Rússia e Ucrânia, destacou a resistência do povo ucraniano. Em tom emocionado, lembrou a cena de uma mulher que, após ter a casa destruída por um bombardeio, sentou-se ao piano e tocou uma peça de Robert Schumann entre os escombros. “Muita gente no mundo chorou”, disse, ressaltando a força simbólica da arte em meio à devastação.
Mas foi quando trouxe a discussão para dentro de casa que o discurso ganhou contornos mais duros.
Para o senador, o Brasil vive uma espécie de guerra civil silenciosa. Ele contestou, sem rodeios, a ideia de que o país é pacífico. “Quem diz que o Brasil é um país de paz? É coisíssima nenhuma”, disparou. Segundo ele, o número de mortes violentas — somadas às vítimas do trânsito e outras causas — ultrapassa 100 mil por ano.
Confúcio também criticou o avanço do crime organizado e os escândalos financeiros que minam a confiança da população nas instituições. “É o crime organizado dominando tudo. É o crime de colarinho branco dominando tudo”, afirmou.
Na avaliação do senador, o descrédito nas instituições abre espaço para aventureiros. “Quando a população não confia mais em ninguém, quando diz ‘não confio mais no Senado, não confio mais no Presidente’, aí surge o populista. É um prato cheio para o demagogo mentiroso ganhar eleição”, advertiu.
Apesar do diagnóstico pesado, ele encerrou com uma mensagem clara e repetida como um mantra ao longo da trajetória política dele: a saída está na educação.
“Se eu não quero ter um criminoso amanhã, eu tenho que cuidar das crianças hoje”, disse. Para ele, investir em escola de qualidade é o caminho mais simples e mais eficaz — o “arroz com feijão” que o país insiste em negligenciar.
O senador também demonstrou preocupação com o impacto do uso excessivo de celulares e redes sociais entre adolescentes. “Hoje o menino não brinca mais na rua, ele vai para o quarto, tranca a porta e fica no celular dia e noite”, observou, defendendo mais orientação e limites para a nova geração.
Entre reflexões sobre guerras tecnológicas, crises globais e o futuro incerto, a fala de Confúcio Moura foi, no fim das contas, um chamado à responsabilidade coletiva. Se o Brasil quer deixar de conviver com sua violência estrutural, precisa começar pela base — formando melhor suas crianças hoje para não lamentar os adultos de amanhã.
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