Brasil está exausto e precisa de reformas para voltar a crescer, alerta Confúcio Moura

Brasil está exausto e precisa de reformas para voltar a crescer, alerta Confúcio Moura

Brasília — Em pronunciamento no Senado nesta segunda-feira (9), o senador Confúcio Moura afirmou que o Brasil vive um momento de desgaste profundo, tanto social quanto institucional. Segundo ele, o país não enfrenta apenas crises isoladas, mas um cenário de “exaustão” provocado pelo acúmulo de problemas econômicos, sociais e políticos ao longo dos últimos anos.

“O Brasil não está enfrentando crises; o Brasil está exausto. E a exaustão é o estágio que precede a descrença total”, disse o parlamentar.

De acordo com o senador, esse sentimento é ainda mais perceptível nas regiões mais pobres, onde a população demonstra cansaço diante das dificuldades e incertezas sobre o futuro.

Moura lembrou que os impactos da pandemia ainda são sentidos em toda a sociedade. Para ele, o período deixou marcas psicológicas importantes, além de sequelas físicas e emocionais em muitas pessoas. O senador também citou o aumento da violência, a sensação de insegurança e os escândalos políticos frequentes como fatores que reforçam a desconfiança da população nas instituições.

Na avaliação do parlamentar, esse clima pode afetar até mesmo a participação popular nas eleições.

“Quando as pessoas começam a perguntar ‘vou votar para quê?’ ou ‘votar em quem?’, isso mostra que a confiança nas instituições está abalada”, alertou.

Outro ponto destacado por Moura foi a rigidez do orçamento público brasileiro. Ele contou que, quando atuou como relator do Orçamento-Geral da União, percebeu que a maior parte dos recursos federais já tem destino definido por lei.

Segundo o senador, cerca de 94% ou 95% do orçamento é comprometido com despesas obrigatórias, o que deixa apenas uma pequena parcela disponível para investimentos ou ações emergenciais do governo.

“Com apenas cerca de 5% de recursos discricionários, o governo precisa fazer tudo: manter serviços, investir em infraestrutura e ainda atender situações inesperadas. Isso limita muito a capacidade de ação do Estado”, explicou.

Durante o discurso, o senador também defendeu ajustes periódicos no sistema da Previdência Social para garantir a sustentabilidade das contas públicas. Segundo ele, as mudanças precisam acompanhar as transformações no mercado de trabalho, especialmente com o crescimento do trabalho autônomo e das atividades por aplicativos.

Moura destacou que milhões de brasileiros trabalham hoje de forma independente ou informal e acabam contribuindo pouco — ou nada — para o sistema previdenciário, o que pode gerar problemas no futuro.

Para ele, qualquer reforma precisa buscar equilíbrio e combater privilégios.

“O país é pobre. Não podemos ter castas de servidores ultra beneficiados enquanto grande parte da população vive com salário-mínimo”, afirmou.

Ao encerrar o pronunciamento, o senador defendeu a construção de uma agenda nacional capaz de recuperar a confiança de investidores, trabalhadores e empresários. Segundo ele, o crescimento econômico depende de estabilidade institucional e previsibilidade.

“Sem confiança, nenhum país cresce, nenhum projeto se sustenta e nenhuma família consegue planejar o amanhã”, concluiu.

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