Desperdício na saúde pode chegar a R$ 360 bilhões; projeto de Confúcio propõe integração de dados desde 2020

Desperdício na saúde pode chegar a R$ 360 bilhões; projeto de Confúcio propõe integração de dados desde 2020

Projeto apresentado há seis anos pelo parlamentar rondoniense cria uma plataforma digital única com informações de saúde dos pacientes

O PL 3.814/2020, aprovado pelo Senado Federal e em tramitação na Câmara do Deputados, prevê plataforma única com histórico de saúde dos pacientes e ganha relevância diante de estudo que estima perdas de até R$ 360 bilhões por ano no sistema brasileiro

O desperdício de recursos na saúde brasileira, estimado entre R$ 240 bilhões e R$ 360 bilhões por ano, voltou ao centro do debate após reportagem da revista Veja, publicada nesta semana. O estudo da Fesaúde e do SindHosp aponta falhas operacionais, procedimentos desnecessários, fraudes, burocracia e, entre os principais problemas, a falta de integração entre os sistemas do SUS e da rede privada.

O projeto de Confúcio está apensado ao PL 5.875/2013. Em 12 de maio de 2026, a deputada Adriana Ventura apresentou, na Comissão de Saúde, parecer pela aprovação do PL 3.814/2020 e das demais propostas apensadas, na forma de substitutivo.

A iniciativa prevê a integração de informações produzidas nos atendimentos de saúde, como prontuários, prescrições, encaminhamentos e resultados de exames, de modo a formar um histórico clínico acessível de acordo com as regras de autorização e proteção dos dados.

Confúcio Moura, ao apresentar o projeto, alertou para a necessidade de transformar os dados produzidos diariamente pelos serviços de saúde em instrumentos de gestão e melhoria do atendimento. “Todo esse volume de dados pode ser aproveitado em benefício da população e do sistema de saúde brasileiro”, afirmou.

Para o senador, a falta de informações sobre o histórico do paciente pode dificultar decisões médicas e provocar repetição de procedimentos. A reportagem da Veja estima que somente a repetição de exames laboratoriais e de imagem, por falta de compartilhamento de resultados entre o SUS e a saúde suplementar, represente perdas de R$ 15 bilhões a R$ 25 bilhões por ano.

A proposta também estabelece uma visão integrada do sistema de saúde, com potencial para melhorar a gestão, apoiar pesquisas e ampliar o conhecimento sobre a capacidade instalada dos serviços em todo o país. “É preciso que o sistema de saúde brasileiro entre definitivamente na era digital, utilizando dados coletados de maneira legítima e autorizada para produzir benefícios aos pacientes, tanto no atendimento individual quanto na gestão das políticas sanitárias”, defende Confúcio.

O estudo citado pela Veja calcula que uma redução de apenas 20% do desperdício potencial poderia liberar entre R$ 48 bilhões e R$ 72 bilhões por ano para o próprio sistema de saúde. A proposta de Confúcio parte de uma premissa simples: o paciente é um só, e sua história clínica também deveria ser, independentemente de ter sido atendido no SUS ou na rede privada.

Seis anos depois da apresentação do projeto, os números ajudam a dimensionar o problema que motivou a proposta. A premissa permanece simples: o paciente é um só e sua história clínica também deveria ser.

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