Rio de Janeiro régio e real (poesia)

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Rio de Janeiro régio e real (poesia)

(7 de julho de 2015)

(observação – esta poesia, Rio de Janeiro régio e real, fiz num supetão, quando andei a pé, pela Rua da Alfândega e por ali tem feiras, mercadinhos, tropel e um morto. Fiquei encostado num canto e rabisquei a poesia, sem retoques)

 

“A Rua da Alfândega está lotada de gente e tem um homem morto na calçada enquanto milhares de vivos seguem em sentidos contrários

Porque todo dia a rua tem a mesma fisionomia das multidões
Com alegria, chuva ou faça sol ela tem a mesma cara do Maracanã lotado

My God sabe o que faz, por um triz o Brasil foi poupado de perder para Argentina de  6 x 1 na Copa América

Nunca me senti tão insignificante no meio da rua, o meu pensamento ficou a zero,  no ritmo da multidão que se espreme na Rua da Alfândega

A rua não tem como crescer além da sua história de rua
Não vim aqui carimbar nenhuma nota fiscal, mas estou aqui sendo exportado de mim, mesmo no meio desta gente tão estranha

Não me  encontro agora, não me acho, não sou mais eu, acho que sou o morto da calçada, sem identidade e  com os dedos amputados

Pescoços e cabeças formando ondas como as  do mar e onda  tem força para jogá-lo na vala comum

O camelódromo foi cercado pela polícia porque tem o morto na calçada

A multidão passa absorvido no seu próximo passo  com pé direito ou esquerdo
Ninguém olha pra ninguém na Rua da Alfândega

Comprei um pastel de carne e pinguei molho de pimenta e me misturei no meio do povo e me perdi

Vou direto para o jornal me anunciar com desaparecido

A multidão me engoliu como um tubarão faminto

Tenho esperança de me encontrar na Rua do Ouvidor

Ou quem sabe passeando nos Arcos da Lapa”

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