O que eu quero mesmo é traduzir a imagem com palavras. Ou quem sabe com poesia, porque a lua se encaixa muito bem na fantasia, na criação de coisas bonitas, olhar a lua por si já é muito e deixa em mim, sempre, um ponto de interrogação.
O que me espantou foi a grandeza do momento, do encontro lindo, do fato inusitado, que só um fotógrafo bem atento, captou a preciosidade do momento, o fenômeno da castanheira engolir a lua.
Eu sempre pensei que a lua fosse grande, muito grande, longínqua, mas, aí, neste momento, ela, em fogo ou bola de ouro, foi morrendo na goela da árvore na madrugada escura. Creio que a árvore gigante, faminta, talvez, ao invés da luz do sol, quisesse ainda mais, agora, a lua.
A fagocitose aconteceu.
E a força de atração da árvore sobre a lua, quem há-de calcular tamanha ganância? Eu já sabia que árvore gosta do sol, precisa dele para que tudo de bom aconteça por dentro dela e para a natureza. Mas, de lua, francamente, não sabia.
Agora, eu me pergunto, o que é que esta castanheira fará com a lua inteira, entalada na sua garganta? Os seus ouriços serão fosforescentes para produzir romarias humanas aos seus pés, em festas e crenças?
E o pecado da inveja que sobre ela atrairá a maldição de tantos olhos gordos. E as amêndoas, quando ingeridas pelo homem ou pelos bichos desenharem toda a extensão do percurso, sobre a pele ou sobre a roupa, tremeluzir entre alças de intestino, como se fosse um exame de diagnóstico precioso! Por mais que eu queira dizer, aqui as palavras faltam, os sentidos são escassos, porque a exuberância da imagem é bem mais lírica e fantasiosa. Eu fico com a imagem.

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