ALMA ROSA

Home / Poemas e Crônicas / ALMA ROSA
ALMA ROSA

Foi no mês de agosto passado, numa missão ao México, que conheci um corpo e uma alma, com  nome e corpo de gente, mulher,  Alma Rosa Corona Morales,  frágil e roupa singela, move-se pela cidade sem dores e mágoas e uma alegria recolhida em algum lugar que não se pode ver.

Repete em cada ponto do centro histórico da cidade do México um glossário  de detalhes, datas, honras e glórias de heróis libertadores, obras de arte e crenças. Ela ganha  a vida como guia turística, com chuva ou sol de todos dias, dia após  dia.

Gloria tive em conhecê-la por cinco horas e poder sentir muito além do seu labor diário e tê-la marcada em mim a sua energia humana, sua alma quente, muito mais além de um frágil corpo solitário, perdido numa cidade de vinte e dois milhões de habitantes.

Estas coisas acontecem quando não se espera: os anjos que existem e lhe tocam profundamente tal qual as visões,  pensamentos e  sonhos. Alma Rosa é ir nela além do não visto, viajar no imobilismo do corpo e se deixar balançar no vento suave que ela exala das suas manhãs.

Vive de aluguel, apartamento de 35 metros quadrados, que lhe cabe e sobra, nesta cidade sem medidas. Neste canto de mundo, periferia dos comuns, que se apoiam uns nos outros, fragilidades e sentimentos que se unem no admirável mundo da solidariedade.

Mesmo assim, sobra-lhe tempo para o exercício de sua medicina natural, sem academia, sem louros e pergaminhos, mas, a prestação de serviços de “conforto” e cura. Porque o sofrimento dói. E a cura vem pela analgesia da atenção. Usa as mãos como instrumento de trabalho, as ondas magnéticas das mãos, a sabedoria delas, para tocar com o espírito sofredor e os corpos contraídos relaxam.

Alma Rosa mexicana, mundo inteiro,  voa como voa a crença do índio, base do seu próprio sangue, história viva,  sobre todos os sempre, os tudo, alma rutilante,  como estrela guia.

Deixe seu comentário

Your email address will not be published.