Minha mãe falava de vez em quando a expressão: “eu não vou com a cara de fulano”. Ela queria dizer que certas pessoas exalavam uma energia ruim. Que não entrava em nosso coração. No meu tempo de menino, a gente acreditava em quebranto. Uma pessoa pegava uma criança no (ao) colo, fazia carinho, e mais tarde, o menino pegava febre, ficava triste. As mães levavam a criança à benzedeira para rezar nela. Para tirar o mau olhado. Estas coisas todas de crendices. Que todo mundo acreditava. Todo mundo tem isto, de não ir com a cara de outra. De receber carga negativa, o tal do olho gordo. E assim, eu também percebo no meu dia a dia, nos encontros e nas audiências. Porque num governo, aí sim que tem “mau olhado”. Eu ainda não fui a nenhum “pai de santo” e nem “benzedeira” para passar no ramo da arruda. E nem cantarolar rezas malentendidas (é assim mesmo?). Ontem, aconteceu comigo deste jeito. Fiquei travado com uma audiência. Me senti invadido por uma onda tão ruim, em certo momento, que um minuto me parecia uma hora. Uma carga péssima, que tudo que me dizia me parecia trama. Me parecia cama-de-gato. Um peso de chumbo na sala. Xô maldição. O diabo está em nosso meio.
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